Frankenstein (2025): quando o verdadeiro terror não é o monstro, mas aquilo que criamos

 

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Algumas histórias simplesmente se recusam a envelhecer. Frankenstein, escrito por Mary Shelley há mais de 200 anos, é uma delas. E assistir a Frankenstein (2025) deixa isso muito claro. Este não é apenas mais um filme inspirado em um clássico do terror — é uma experiência pesada, silenciosa e profundamente humana. Um filme que não quer só assustar, mas fazer você pensar, sentir desconforto e, principalmente, se questionar.

Desde os primeiros minutos, fica evidente que essa nova versão não está interessada em sustos fáceis. Ela quer te puxar para dentro de uma atmosfera densa, quase sufocante, e te obrigar a encarar os dilemas morais que sempre fizeram dessa história algo tão poderoso.

Um Frankenstein que dói mais do que assusta

Aqui, o terror não vem de gritos repentinos ou cenas exageradas. Ele nasce da solidão, do abandono e da culpa. A criatura é apresentada muito menos como um monstro e muito mais como alguém que nunca teve escolha. Cada olhar, cada silêncio e cada reação deixam claro o quanto ela sofre por simplesmente existir.

E isso muda tudo. Em vários momentos, é impossível não sentir empatia. O filme faz algo desconfortável: ele te faz questionar quem realmente é o monstro da história. A criatura… ou quem a criou?

Victor Frankenstein: genial, falho e perigosamente humano

Victor Frankenstein não é retratado como um vilão caricato. Ele é humano demais — e talvez seja isso que o torna tão perturbador. Obcecado pelo conhecimento, movido pela ideia de ultrapassar limites, ele representa aquela linha perigosa entre ambição e irresponsabilidade.

O filme mostra, com muito cuidado, como o desejo de criar algo grandioso pode facilmente se transformar em negação, fuga e covardia. Victor cria, mas não assume. E essa falha ecoa por todo o filme.

Uma atmosfera que pesa no peito

Visualmente, Frankenstein (2025) é sombrio, frio e melancólico. Os cenários parecem vazios mesmo quando estão cheios de pessoas. Tudo transmite isolamento. A fotografia usa sombras, pouca luz e tons fechados para reforçar a sensação constante de desconforto.

A trilha sonora aparece pouco, mas quando surge, é certeira. Muitas vezes, o silêncio fala mais alto do que qualquer música — e isso torna algumas cenas ainda mais difíceis de assistir emocionalmente.

Atuações que seguram o filme nas costas

As atuações são um dos grandes pontos altos do filme. O ator que interpreta Victor Frankenstein entrega uma performance intensa, cheia de conflito interno. Dá para sentir o peso das decisões erradas acumulando em cada cena.

Mas é a criatura quem realmente marca. Sua interpretação é contida, dolorosa e extremamente expressiva. Não são necessárias muitas falas para entender o sofrimento. O corpo, o olhar e a postura contam toda a história.

Um ritmo lento — e proposital

Este não é um filme apressado. A narrativa se constrói aos poucos, quase pedindo paciência do espectador. Para alguns, isso pode soar lento demais. Para outros, é exatamente o que permite que a história tenha impacto.

Cada cena tem tempo para respirar. Cada silêncio carrega um peso. O filme confia que quem está assistindo vai aceitar esse ritmo mais contemplativo — e quem aceita, é recompensado.

Por que Frankenstein ainda faz sentido em 2025?

Talvez porque a pergunta central da história continue sem resposta: até onde devemos ir só porque podemos?

Em uma era de inteligência artificial, avanços científicos acelerados e criação constante de novas tecnologias, Frankenstein (2025) soa quase como um aviso. Criar algo não é o problema. Abandonar aquilo que se cria, sim.

O filme fala sobre responsabilidade, empatia e as consequências de tratar vidas — ou ideias — como experimentos descartáveis.

Um terror que fica depois que o filme acaba

Diferente de muitos filmes do gênero, o medo aqui não some quando os créditos sobem. Ele permanece. Você sai do cinema pensando nas escolhas dos personagens, nas falhas humanas e em quantas vezes, na vida real, fazemos algo parecido.

Esse não é um terror para dar risada depois. É um terror que provoca silêncio.

Uma adaptação que respeita e arrisca

O filme honra a obra original de Mary Shelley, mas não tem medo de reinterpretá-la. Ele atualiza temas, aprofunda conflitos emocionais e entrega uma leitura mais madura e introspectiva da história.

Não é uma adaptação feita para agradar todo mundo — e isso é um mérito. Ela sabe exatamente o que quer ser.

Nem todo mundo vai gostar — e tudo bem

O tom pesado, a ausência de humor e o ritmo lento podem afastar parte do público. Quem busca um terror comercial, cheio de sustos e ação, talvez se decepcione.

Mas quem procura uma experiência mais profunda, emocional e reflexiva vai encontrar aqui um filme que marca.

Veredito final

Frankenstein (2025) é um filme desconfortável — no melhor sentido possível. Ele não entrega respostas fáceis, não tenta suavizar seus temas e não trata o espectador como alguém que precisa de tudo explicado.

Mais do que contar uma história conhecida, o filme nos coloca diante de um espelho. E às vezes, o que assusta de verdade não é o monstro… é perceber o quanto ele se parece conosco.

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